Sustentabilidade e sobrevivência no longo prazo

O ser humano não nasce preparado para a vida, o legado herdado não lhe é suficiente o que o obriga aprender a viver enquanto vive. Ao contrário da natureza que é programada para ser o que é sem escolhas, o homem é dotado da capacidade de escolher ser o que não é. Mas há um preço a pagar: a árdua tarefa de alcançar o equilíbrio e se bastar. Tudo pode, mas nem tudo lhe convém. Imagine se não fosse assim. Seríamos como os outros seres viventes. Nossa vida seria inteiramente regida pelo nosso instinto. Nossas inclinações seriam inexoráveis. Tudo na nossa vida seria necessariamente do jeito que é, ou que foi. Não teríamos uma réstia de liberdade para decidir. Seríamos o mais puro resultado do encontro da nossa natureza com um mundo ao qual ela tem de se adaptar.[1] Podendo escolher, criar, modificar-se e ditar os rumos de sua própria existência, o homem se coloca acima de sua própria natureza e mais próximo a Deus em Sua imagem e semelhança. Mas diferentemente de Deus, o homem é mortal e imperfeito, bem como tudo que cria. Contudo, é possível aperfeiçoar ambos, homem e suas criações contribuindo para a longevidade e uma existência com propósito. Isso está diretamente relacionado à sustentabilidade.

Sustentabilidade é sobrevivência no longo prazo em um mundo interdependente, uma jornada sem fim de transformação com alvos móveis à medida que se avança. De acordo com Kevin Wilhelm, sustentabilidade nas organizações pode ser entendida de várias formas dependendo da situação:

  • Para um varejista, sustentabilidade pode significar a oferta de produtos e serviços ao menor preço possível de modo que os clientes possam adquiri-los

  • Para uma empresa em dificuldades financeiras, sustentabilidade pode ser manter o negócio funcionando

  • Para uma empresa familiar, sustentabilidade pode ser simplesmente passar o negócio para a próxima geração

Muito além da visão que usos particulares possam ter do termo, sustentabilidade tem se desenvolvido como um modo unificado de endereçar um amplo leque de questões. Passa a ser necessário gerenciar não somente aspectos financeiros, mas também ambientais (água, matéria prima), sociais (comunidade, colaboradores, de trabalho, direitos humanos), mercadológicos (clientes, produtos e serviços) e energéticos. Não é possível descrever os benefícios adjacentes de sustentação da vida utilizando-se apenas números e modelos.

O uso do planeta como uma commodity que oferece fontes inesgotáveis de recursos e energia baratos e espaço infinito para crescimento está alcançando seu limite. Escassez de água e energia, aumento de conflitos, degradação ambiental, crises financeiras e aumento das desigualdades são sintomas de esgotamento e não de fortalecimento das premissas atuais. O ciclo de extrair, fazer, vender, usar e descartar, se mantido como está, acumulará danos ambientais e sociais que poderão levar a civilização ao colapso ainda no século 21. [1] Barros Filho, C.; Meucci, A. O executivo e o martelo, pag. 44, HSM Editora, 2013

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