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Agentes de IA: como escalar com governança, segurança e controle

Ilustração 3D em estilo de vidro translúcido em tons de azul e lilás mostrando três pequenos robôs robóticos interconectados por linhas luminosas a um bloco central. Ao redor, há painéis flutuantes com gráficos de barras, fluxogramas e linhas de tendência.

Processos estruturados, guardrails, supervisão humana e rastreabilidade permitem ampliar o uso de agentes de IA com governança, sem perder segurança e controle operacional. 

Um agente de IA pode interpretar informações, consultar sistemas, escolher uma ação e executar etapas em nome de uma pessoa ou área. Mas, quanto maior sua capacidade de agir, maior também precisa ser a capacidade da empresa de limitar, acompanhar e interromper essa atuação. 

Para uma grande empresa, um erro de agentes de IA pode interromper uma operação, expor informações, gerar uma decisão inadequada, prejudicar um cliente ou criar um problema regulatório. 

Por isso, o debate sobre agentes de IA para empresas não pode ficar restrito ao modelo de linguagem ou à qualidade do prompt. Ele precisa incluir processos, identidade, permissões, dados, integrações, rastreabilidade, gestão de riscos e responsabilidade. 

Mas é importante dizer: governança não reduz o potencial da IA. Ela transforma autonomia tecnológica em capacidade operacional controlada.

O que significa escalar agentes de IA com governança? 

Escalar não é apenas criar mais agentes ou permitir que mais pessoas utilizem a tecnologia. 

Uma empresa começa a escalar quando os agentes deixam de ser testes isolados e passam a atuar de maneira recorrente em processos de negócio, interagindo com dados, pessoas e sistemas corporativos. 

Isso pode envolver: 

  • consultar informações em um ERP; 
  • interpretar um documento; 
  • preencher campos de um processo; 
  • classificar uma solicitação; 
  • verificar o cumprimento de uma regra; 
  • acionar uma integração; 
  • encaminhar uma exceção;
  • acompanhar um prazo; 
  • sugerir uma decisão; 
  • executar uma ação previamente autorizada. 

Nesse estágio, o agente deixa de ser somente uma interface conversacional. Ele passa a fazer parte da operação. 

A governança estabelece as condições para que essa atuação aconteça. Ela define quem é responsável pelo agente, quais dados podem ser acessados, quais ferramentas podem ser utilizadas, quais decisões exigem aprovação humana e como cada ação será registrada. 

NIST recomenda que a governança de IA esteja conectada aos controles organizacionais já existentes, incluindo governança de dados, gestão de riscos, responsabilidades humanas e políticas para sistemas próprios e de terceiros.

O que são agentes de IA e como eles atuam nos processos? 

Agentes de IA são sistemas capazes de interpretar um contexto, planejar etapas, utilizar ferramentas e executar ações para alcançar um objetivo definido. 

Diferentemente de uma aplicação que apenas gera uma resposta, um agente pode participar de uma sequência de atividades. Ele pode receber uma solicitação, consultar uma base, aplicar uma regra, acionar um sistema e encaminhar o resultado para a próxima etapa. 

McKinsey caracteriza os agentes como sistemas baseados em modelos fundacionais que podem atuar no mundo real, planejando e executando múltiplas etapas de um workflow. 

Para uma explicação mais ampla do conceito e dos diferentes tipos, consulte o guia da Lecom sobre o que são agentes de IA.

Quais são os principais riscos dos agentes de IA sem governança? 

Ilustração 3D com estilo de vidro transparente de uma janela de navegador com a inscrição "IA" e um triângulo de alerta vermelho representação os problemas dos agentes de IA para empresas.
Representação dos riscos dos agentes de IA

Os riscos aumentam quando um sistema deixa de apenas recomendar e passa a agir. 

Um agente pode, por exemplo, consultar uma base de clientes, enviar uma mensagem, movimentar um processo, registrar uma informação no ERP ou acionar outro sistema. Uma permissão excessiva ou uma interpretação incorreta pode produzir consequências reais. 

Entre os principais pontos de atenção estão: 

1. Acesso excessivo a dados e sistemas

O agente não deve receber mais permissões do que aquelas necessárias para cumprir sua função. O princípio do menor privilégio, já adotado em segurança da informação, também deve ser aplicado a identidades não humanas.

2. Decisões sem rastreabilidade 

A organização precisa saber quais informações foram consultadas, quais regras foram aplicadas, qual ação foi escolhida e qual foi o resultado. 

Sem registros, uma decisão automatizada pode se transformar em uma caixa-preta. 

3. Ações fora do escopo 

Um agente criado para validar comprovantes não deve analisar qualquer documento enviado por qualquer pessoa. O tipo de entrada, a origem do arquivo, os campos esperados e as ações permitidas precisam estar delimitados. 

4. Uso inadequado de ferramentas 

Quanto mais ferramentas um agente puder utilizar, maior será sua superfície de risco. Acesso a e-mail, bancos de dados, APIs, sistemas transacionais e arquivos deve ser concedido de maneira específica. 

5. Proliferação sem controle 

Áreas diferentes podem criar agentes semelhantes, contratar ferramentas distintas e acessar as mesmas informações sem uma visão centralizada. 

O resultado é uma nova forma de automação em silo. Por isso, é importante conhecer os 7 pilares que possibilitam escalar agentes de IA com controle. 

Conheça 7 pilares para escalar agentes de IA com controle 

  1. Objetivo e escopo definidos

Todo agente deve começar com uma finalidade de negócio clara. 

Em vez de “criar um agente para o financeiro”, a empresa pode definir: “verificar os dados de comprovantes de reembolso, comparar as informações com a política corporativa e encaminhar exceções para análise”. 

Quanto mais específica for a função, mais fácil será definir entradas, ferramentas, decisões e limites. 

  1. Identidade e permissões

O agente precisa ter uma identidade própria, separada da identidade de uma pessoa. 

Também deve existir uma política sobre: 

  • sistemas que ele pode acessar; 
  • dados que pode consultar; 
  • registros que pode alterar; 
  • operações que pode executar; 
  • horários ou condições de uso; 
  • aprovações necessárias. 

Permissões compartilhadas ou excessivas tornam difícil descobrir quem realizou determinada ação. 

  1. Governança de dados e integrações

Não basta controlar o modelo. É necessário controlar o que chega até ele e para onde suas respostas são enviadas. 

Isso inclui origem, classificação, retenção e sensibilidade dos dados, além das APIs, documentos, bancos e sistemas conectados. 

O processo deve impedir que informações sejam enviadas indiscriminadamente a modelos ou ambientes não autorizados. 

  1. Regras, políticas eguardrails

Guardrails são orientações e controles usados para restringir o comportamento da IA. 

Eles podem determinar, por exemplo: 

  • quais assuntos podem ser tratados; 
  • quais ferramentas podem ser acionadas; 
  • quais formatos de resposta são aceitos; 
  • quando uma ação deve ser bloqueada; 
  • quais situações devem ser encaminhadas a uma pessoa. 

Mas guardrails, isoladamente, não resolvem toda a governança. 

Um prompt pode dizer ao agente o que fazer. Um processo estruturado também controla quando ele será acionado, quais dados receberá, quais sistemas poderá consultar, para onde o resultado seguirá e quem deverá responder por uma exceção. 

  1. Supervisão humana

Supervisão humana não significa revisar manualmente todas as ações. 

Significa definir quais decisões podem ser automatizadas, quais precisam de confirmação e quais devem permanecer sob responsabilidade de uma pessoa. 

O nível de intervenção deve considerar impacto, reversibilidade, sensibilidade dos dados e tolerância ao erro. 

“Organizações com melhor desempenho em IA têm maior probabilidade de possuir processos definidos para determinar quando as saídas dos modelos precisam de validação humana.” | State of AI da McKinsey 

  1. Observabilidade e auditoria

A empresa precisa acompanhar o agente da mesma forma que acompanha outros componentes críticos da operação. 

Isso inclui registrar: 

  • entrada recebida; 
  • fonte dos dados; 
  • modelo e versão utilizados; 
  • ferramentas acionadas; 
  • decisões tomadas; 
  • intervenções humanas; 
  • erros e exceções; 
  • tempo de execução; 
  • resultado obtido. 

A observabilidade permite identificar anomalias, investigar incidentes e melhorar continuamente o desempenho. 

  1. Gestão do ciclo de vida

Agentes mudam. Modelos recebem novas versões, processos são atualizados, políticas mudam e integrações são substituídas. 

Por isso, a organização precisa gerenciar criação, homologação, publicação, monitoramento, atualização e desativação. 

Essa disciplina pode ser entendida como AgentOps: um conjunto de práticas operacionais para versionar, testar, monitorar e governar agentes ao longo do tempo.

Exemplos de agentes de IA aplicados aos processos empresariais

Reembolso e validação de comprovantes 

Em um processo tradicional, o colaborador preenche valores, classifica despesas, anexa comprovantes e envia a solicitação. Depois, alguém do financeiro confere cada informação. 

Em um fluxo inteligente: 

  1. o colaborador envia os comprovantes; 
  2. o OCR extrai datas, valores, estabelecimentos e demais dados; 
  3. a IA interpreta as informações; 
  4. o agente compara os dados com a política de reembolso; 
  5. os campos são preenchidos; 
  6. inconsistências são sinalizadas; 
  7. somente exceções seguem para análise humana. 

Isso reduz atividades manuais tanto para quem solicita quanto para quem confere. Porém, o agente não deve ser tratado como infalível. Limites de valor, baixa confiança na leitura, documentos incompletos ou divergências precisam gerar uma exceção. 

Entrada e conferência de notas fiscais 

O agente pode acompanhar a chegada de documentos, extrair informações, comparar dados com pedidos de compra, consultar cadastros no ERP e encaminhar divergências. 

Ele não precisa ter autorização para efetuar pagamentos. Sua função pode terminar na validação e no encaminhamento para aprovação. 

Cadastro de fornecedores 

Um agente pode verificar a presença dos documentos obrigatórios, consultar bases autorizadas, preencher formulários e indicar pendências. 

Critérios de compliance, risco ou aprovação final devem permanecer sob responsabilidade das áreas competentes. 

CSC e gestão de solicitações 

Em um Centro de Serviços Compartilhados, o agente pode classificar solicitações, identificar o serviço correto, buscar informações em sistemas, abrir tarefas e acompanhar SLAs. 

O BPMS mantém a solicitação dentro de um fluxo rastreável, enquanto o agente apoia interpretação e execução. 

Contratos e documentos 

A IA pode resumir contratos, localizar cláusulas, classificar documentos e identificar informações ausentes. 

Em documentos sensíveis, a decisão jurídica não deve ser delegada integralmente. O agente prepara a informação; o especialista avalia o impacto e decide.

Como Lecom garante governança de agentes de IA?

A função de uma plataforma de processos não é apenas disponibilizar uma inteligência artificial. 

É criar o ambiente em que pessoas, agentes, robôs, dados e sistemas possam trabalhar de maneira coordenada. 

A plataforma Lecom combina agentes de inteligência artificial, modelagem no-code/low-code, BPMN, formulários, regras e integrações adaptadas à operação. 

Nesse ambiente, uma empresa pode: 

  • modelar o processo; 
  • definir entradas e responsáveis; 
  • conectar ERP e sistemas legados; 
  • aplicar IA em etapas específicas; 
  • utilizar RPA em tarefas determinísticas; 
  • estabelecer aprovações humanas; 
  • registrar decisões; 
  • acompanhar prazos e indicadores; 
  • tratar exceções; 
  • melhorar continuamente o fluxo. 

Essa abordagem evita transformar o agente em mais uma ferramenta isolada. 

O objetivo não deve ser conceder autonomia máxima. Deve ser conceder a autonomia necessária, dentro de um processo que a organização compreende e consegue governar. 

Agentes de IA abrem uma nova etapa da automação empresarial porque podem interpretar, decidir e agir. 

Essa autonomia, porém, não deve existir fora da arquitetura operacional da empresa. 

Para escalar com segurança, cada agente precisa ter uma função delimitada, uma identidade, permissões específicas, dados autorizados, ferramentas conhecidas, regras, supervisão e registros. 

Processos estruturados fornecem esse contexto. Eles transformam uma intenção ampla em uma sequência controlada de ações. 

O agente executa. O processo estabelece onde, quando, como e até onde ele pode executar. 

É essa combinação entre inteligência e governança que permite sair de testes isolados e construir uma operação realmente preparada para utilizar agentes de IA. 

Conheça a plataforma de hiperautomação inteligente de processos da Lecom e veja como integrar IA, BPM, RPA, pessoas e sistemas em fluxos rastreáveis.

Foto de Eric Lisi

Eric Lisi

Profissional formado em Sistemas da Informação e MBA em Gestão de Pessoas e Gestão da Tecnologia da informação, tendo exercido os papéis de desenvolvedor de software web, analista de requisitos, gerente de projetos e arquiteto de soluções. Arquiteto de Software na Lecom Tecnologia

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