No CIO Cerrado Experience, ficou claro que o desafio dos CIOs não é apenas adotar inteligência artificial, mas conectá-la a processos, dados, ERP e governança para gerar eficiência real no negócio.
Entre os dias 12 e 16 de agosto de 2026, nós, da Nexum Tecnologia, estivemos no CIO Cerrado Experience 2026, no Tauá Resort, em Alexânia, ao lado de Rafael Silva, Diretor de Marketing e Expansão da Lecom. A Nexum é parceira Platinum da Lecom, e nossa presença conjunta no evento reforçou uma percepção que vem ficando cada vez mais clara nas conversas com CIOs: as empresas querem usar inteligência artificial, mas ainda buscam entender onde ela realmente gera valor.
O CIO Cerrado é uma comunidade formada por gestores, CIOs, CEOs e CFOs, com foco em networking estratégico entre líderes de tecnologia no Centro-Oeste. A edição Experience também é organizada para executivos que buscam inovação, novas perspectivas e estratégias eficientes.
A resposta que ouvi nos estandes, nas conversas e nas visitas posteriores é direta: IA só gera resultado consistente quando encontra processos organizados, dados acessíveis, integração com sistemas e governança operacional.
O que o CIO Cerrado revelou sobre a agenda dos CIOs?
O CIO Cerrado tem uma característica muito própria: proximidade. Mais do que assistir apresentações, os CIOs circulam, conversam, visitam os estandes e compartilham desafios reais da operação.
Nas conversas que tivemos, a pressão pela inteligência artificial apareceu com força. Muitas diretorias já pedem iniciativas de IA, mas os CIOs sabem que não basta contratar uma ferramenta ou criar um piloto. A pergunta que eles estão tentando responder é outra: onde a IA melhora o negócio de verdade?
Essa percepção conversa com o estudo global da McKinsey sobre IA em 2026. A pesquisa mostra que o uso de IA segue avançando, mas o impacto financeiro em nível corporativo ainda é limitado para muitas empresas. O próprio estudo aponta que as organizações que capturam mais valor são aquelas que redesenham fluxos de trabalho e não apenas inserem IA sobre processos existentes.
Por que IA sozinha não resolve o desafio das empresas?
Um ponto ficou muito claro no evento: muitas empresas já têm ERP, especialmente SAP, e concentram nele processos críticos. Mas boa parte da operação continua acontecendo fora do ERP: em planilhas, e-mails, aprovações manuais, documentos, chamados, mensagens e fluxos paralelos.
É exatamente nesse espaço que a automação inteligente ganha relevância.
Quando falamos de IA, RPA, OCR, BPMS e integração de sistemas, não estamos falando de tecnologias isoladas. Estamos falando de uma camada operacional capaz de conectar pessoas, sistemas, dados e regras de negócio. A IA interpreta, recomenda e apoia decisões. O RPA executa tarefas repetitivas. O OCR extrai dados de documentos. O BPMS organiza fluxos, responsabilidades, prazos e rastreabilidade.
A Deloitte também reforça essa visão em uma pesquisa recente sobre IA agêntica: apenas 5% das organizações disseram ter processos de negócio altamente preparados para adoção de agentes de IA, e 72% apontaram falta de dados unificados e acessíveis como barreira.
A conclusão é simples: antes de escalar IA, é preciso preparar a operação.
O que a experiência com mais de 50 cooperativas atendidas pela Lecom e Nexum ensina sobre automação e IA?
A atuação conjunta entre Lecom e Nexum em mais de 50 cooperativas no Brasil, sendo 30 atendidas em parceria, nos dá uma visão muito prática sobre o que realmente funciona quando falamos em transformação digital.
No cooperativismo, tecnologia precisa gerar eficiência sem perder proximidade, confiança e controle. Essa lógica também vale para empresas de outros setores que estão buscando escalar suas operações sem perder governança.
Nos projetos com cooperativas, vemos que os maiores ganhos surgem quando a tecnologia deixa de ser tratada como ferramenta isolada e passa a organizar a operação de ponta a ponta. Isso significa digitalizar solicitações, integrar áreas, reduzir retrabalho, dar visibilidade aos gargalos, automatizar etapas repetitivas e criar uma base mais estruturada para dados e IA.
Essa experiência reforça a mensagem que levamos ao CIO Cerrado: antes de falar em inteligência artificial como tendência, é preciso preparar os processos para que ela consiga gerar valor real para o negócio.