Sejamos honestos: a pressão para implementar Inteligência Artificial nas empresas provavelmente nunca esteve tão alta. Existe uma urgência no mercado em surfar a onda da inovação, apresentar cases de sucesso e provar que a operação está pronta para o futuro.
Mas existe uma realidade operacional que poucas reuniões de diretoria abordam com a profundidade necessária: por que tantas iniciativas de IA falham na hora de entregar retorno financeiro real (ROI)?
Recentemente, trouxemos essa provocação para o centro da mesa em nosso webinar exclusivo “Agentes de IA além do hype”, conduzido por Douglas Zilio, Arquiteto de Soluções aqui na Lecom. E a conclusão a que chegamos – amparada por dados de mercado e vivência prática em operações complexas – é um alerta essencial para quem entende que a tecnologia, por si só, não faz milagres.
Abaixo, compartilho os principais insights dessa discussão e como a estrutura da sua operação dita as regras desse jogo.
O dado que incomoda: por que a conta da IA não fecha?
O mercado vive um momento de entusiasmo. Vemos projeções de instituições como o Gartner apontando que a esmagadora maioria das empresas usará modelos generativos em poucos anos, enquanto a McKinsey prevê trilhões adicionados à economia global.
Mas quando olhamos para a rotina da execução corporativa, o cenário exige cautela. Segundo dados do MIT, cerca de 95% dos projetos de IA não entregam o retorno financeiro esperado.
É um número frustrante. Investe-se tempo, energia e orçamento, mas a iniciativa trava. A resposta para essa falha raramente está na tecnologia escolhida, mas sim no ecossistema em que ela foi inserida. Fatores como o uso de IA em silos, a falta de governança estruturada e processos desorganizados são as verdadeiras barreiras para a inovação.
Pare de automatizar o caos: o perigo do “workslop”
Durante a apresentação, o Douglas trouxe uma reflexão que resume perfeitamente a dor de muitas grandes empresas: “Tentar colocar agentes de IA em processos quebrados, cheios de exceções, planilhas isoladas e e-mails não é inovar. É só automatizar o caos.”
Quando inserimos uma Inteligência Artificial superpotente em um fluxo de trabalho imaturo, não resolvemos o gargalo; apenas fazemos com que o erro se propague em uma velocidade assustadora.
É nesse ponto que surge um conceito que as empresas precisam evitar: o workslop. Trata-se daquele trabalho gerado por automações mal estruturadas ou IAs sem o contexto correto, que resulta em uma entrega de qualidade tão duvidosa que um humano precisa gastar o dobro do tempo para refazer. Em vez de eficiência, a empresa ganha retrabalho.
Maturidade de Processos: a verdadeira base dos Agentes de IA
A virada de chave para sair do hype e entrar na era dos resultados práticos é entender que não existe inovação sustentável sem uma base sólida.
Os Agentes de IA — sistemas autônomos capazes de raciocinar, tomar decisões e executar tarefas em vários sistemas simultaneamente — são ferramentas transformadoras. Contudo, eles precisam de trilhos seguros para operar. Esse trilho é a maturidade de processos.
Para que uma empresa faça parte da minoria que alcança sucesso e escala com a IA, é fundamental estruturar três pilares:
- Orquestração: conectar sistemas legados (ERP, CRM, entre outros) em uma esteira única. A IA precisa ter acesso aos dados corretos, no momento exato, sem depender de integrações manuais.
- Governança: estabelecer regras de negócio inegociáveis. A tecnologia não pode operar sem visibilidade; os gestores precisam entender com clareza a lógica por trás de cada decisão tomada pelo agente autônomo.
- Rastreabilidade: garantir a segurança da informação. Escalar agentes em grandes operações exige auditoria e controle sobre cada etapa executada.
A verdadeira eficiência — aquela que multiplica resultados — não está apenas em um chatbot respondendo dúvidas simples. Ela reside no backoffice, na orquestração inteligente daquelas tarefas invisíveis, mas vitais, que mantêm a engrenagem da companhia girando.
Entenda essa estruturação na prática
Sair do cenário de falha e construir uma operação madura é um desafio complexo, mas não precisa ser trilhado sem direcionamento.
Para quem deseja mergulhar nesses dados e entender de forma visual como preparar a rotina da empresa para essa tecnologia, nós disponibilizamos o conteúdo completo dessa discussão. No vídeo, o Douglas abre os dados do Tech Trends 2026 e detalha os passos para estruturar a camada de execução da sua empresa.
Se esse é um tema que está na agenda da sua companhia para os próximos anos, convido você a conferir o material na íntegra. Basta preencher os dados abaixo para acessar a gravação e os insights completos:
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