Qual a incrível relação entre o Poder do Hábito e BPM – Parte I

Por Ana Elisa Barradel, Marketing Lecom e Tiago Amôr, Diretor de Operações Lecom

Você sabe o que são Gânglios Basais? Essa figurinha de nome complicado é responsável por muito mais de você do que imagina. Os gânglios basais são formados por um grupo de estruturas que regulam o equilíbrio, o início dos movimentos, a postura e os movimentos oculares.

ganglios

Estão também envolvidos nos comportamentos emocionais e cognitivos, tendo importante responsabilidade sobre a formação de hábitos.

Hábito: s.m. Comportamento que determinada pessoa aprende e repete frequentemente, sem pensar como deve executá-lo. Uso, costume; maneira de viver; modo constante de comportar-se, de agir.

Todo mundo tem alguns comportamentos padrões. Seja um café à tarde, ler antes de dormir, calçar primeiro o sapato direito. Não importam quais sejam: você tem hábitos. E eles são formados justamente para que sejamos mais eficientes.

Vamos tomar como exemplo um experimento realizado por cientistas do MIT, apresentado no livro O Poder do Hábito, de Charles Duhigg. Dentro de um labirinto em forma de T era colocado um ratinho. Ao ouvir um clique, uma porta se abria, e o rato tinha a possibilidade de ir reto e virar para a esquerda, onde encontraria comida. Ou ir reto e virar para a direita, onde não encontraria nada. No início, a atividade cerebral do rato era extremamente alta. Porém, após algum tempo, o comportamento se tornava mais eficiente e a atividade cerebral passou a diminuir. Quando ouvia o clique, o rato já sabia para onde precisava caminhar para receber sua recompensa. Pronto. Um novo hábito havia se formado.

A estrutura do hábito é bastante simples: Gatilho é aquilo que dispara o hábito. No caso do experimento do ratinho, era o clique. A rotina é aquilo que acontece logo após o gatilho, quais atitudes são tomadas perante esse start. Para o rato, era caminhar reto e virar à esquerda. Já a recompensa é o motivo do hábito acontecer. É aquilo que faz a Rotina valer à pena. Para nosso personagem, era a comida encontrada no final do caminho.

O problema de essa estrutura ser tão simples é que há a facilidade para algo bom e para algo ruim. Ou seja, estando dentro da maquete de Gatilho, Rotina, Recompensa, não importa se o hábito é bom ou ruim, ele irá se formar. Afinal, nosso cérebro não consegue diferenciar o que nos fará mal e o que nos fará bem. A única coisa que importa é diminuir a atividade cerebral demandada para determinada atividade.

É por isso que é difícil começar uma dieta, acordar mais cedo para fazer exercícios ou parar de fumar. Mesmo sendo atitudes que te farão muito bem, comer um doce depois do almoço é uma tarefa tão enraizada que seu corpo já não pensa mais para realizá-la. Ou seja, é um hábito. O interessante desse modelo é que ele é aplicável tanto para indivíduos como para grupos.

Isso quer dizer que a formação de uma atividade corriqueira pode acontecer tanto em indivíduos isolados, como em uma comunidade. Em um indivíduo, vemos hábitos. Em um grupo, vemos rotinas.

Mas você pode se perguntar: o que isso tem a ver com BPM? Bem, retomando a afirmação desses estudos que diz “Indivíduos tem hábitos e grupos rotinas”, podemos levar essa reflexão para dentro das organizações que são essencialmente feitas de gente (hábitos) e equipe (rotinas). Essas ações, como já citado anteriormente, podem ser boas ou não.

Não é função dos gânglios basais fazer julgamentos sobre os hábitos e é nesse ponto que precisamos de muita atenção. Ele busca simplesmente hábitos e cabe a outras funções do cérebro o julgamento de acordo com outras “variáveis”. Fazendo uma co-relação com as organizações, é aí que entra o BPM! É por ele que esse julgamento será feito e as mudanças serão estabelecidas. Engana-se aquele que pensa que as rotinas dentro de sua empresa estão totalmente adequadas.

Peguemos como exemplo um outro experimento, realizado pela Universidade de Kyoto no Japão. Cinco macacos foram colocados em uma jaula. Junto a eles, uma escada que no topo continha um cacho de banana. Toda vez que um macaco resolvia subir para pegar as bananas, os que ficavam embaixo eram molhados com um jato de água gelada. Após algumas repetições, sempre que algum deles decidia subir, os outros o impedia agredindo-o, com medo de novamente ficarem molhados. Isso fez com que nenhum deles subisse novamente na escada. Depois de um período, um dos macacos foi substituído por outro, que não havia tido qualquer contato anterior com o bando. Assim que entrou na jaula, a primeira atitude foi subir na escada. Claro, foi agredido pelos outros macacos, antes mesmo do jato de água ter sido disparado. Após algum tempo, já não subia mais, mesmo nunca tendo sentido a água gelada. Logo outro macaco do bando foi substituído. O interessante foi que o novato, ao tentar subir na escada, foi agredido pelo bando, inclusive pelo que havia entrado na jaula há pouco tempo. A substituição foi ocorrendo gradativamente, e o cenário sempre se repetia: mesmo os macacos novos nunca tendo sentido o jato de água, continuavam a espancar aquele que tentasse subir a escada.

Analisando o padrão de comportamento desse experimento, podemos concluir como sendo o Gatilho o ato de um macaco subir na escada. Como Rotina, a agressão a ele. Como Recompensa, a sensação de pertencer ao grupo (afinal, apenas seguiam o comportamento dos veteranos, pois não chegaram a conhecer o jato de água). Isso é um hábito social, ou seja, uma rotina.

Soa familiar quando aplicado ao ambiente empresarial, não? Esse é um dos exemplos do que pode acontecer quando nossas rotinas não são positivas. É algo tão enraizado que deixamos de perceber o real valor das ações que tomamos. Surgem a famosa frases de corredor – “sempre foi assim” – e então nunca há uma mudança de atitude. Em consequência, a performance de nossa empresa cairá.

Na semana que vem lançamos a segunda parte deste artigo, não perca! 😉

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