Vivendo em tempos exponenciais

Mudança é uma lei do universo, tudo é movimento e nada permanece parado, exceto o próprio movimento. Isso se sabe desde 500 a. C. com as célebres declarações de Heráclito de Éfeso, pai da dialética, panta rhei tudo flui é impossível banhar-se duas vezes no mesmo rio. As coisas não cessam de acontecer e o que hoje é manchete, amanhã será apenas um registro da história. Haja o que houver, aconteça o que acontecer o universo, a Terra e a consciência humana nunca param de se transformar. Ou se conduz uma transformação ou é conduzido por ela. Na vida e nos negócios, não é só a mudança que está acelerando, mas também o ritmo da mudançaa questão não é quando as coisas irão voltar ao normal, mas se existirá um novo normal. Os paradigmas estão aí para serem quebrados.
Em tempos de mudança exponencial as transformações que ocorrem no próximo período são superiores às transformações que ocorreram no período precedente. A lei dos rendimentos acelerados (Law of Accelerating Returns) sustenta que o aumento na taxa de inovação tecnológica (e por vezes social e cultural) pode impulsionar mudanças mais rápidas e profundas a cada novo período. Essa lei está associada às ideias de Ray Kurzweil especialmente em relação ao conceito de singularidade tecnológica. Singularidade tecnológica é a denominação dada a um evento histórico no futuro em que a humanidade atravessará um estágio tecnológico tão extraordinário em curtíssimo espaço de tempo que causará ruptura no tecido da história humana alterando radicalmente a civilização. Em seu livro The Singularity Is Near: When Humans Transcend Biology (2006), Kurzweil estende a lei de Moore para descrever um avanço exponencial que dobra o progresso tecnológico a cada um ou dois anos, prevendo que mudanças de paradigma continuarão a se tornar cada vez mais comuns.
Vivendo em tempos exponenciais
Figura – Curva exponencial que dobra o valor a cada novo período, atingindo no limite um valor infinitamente superior às distâncias percorridas anteriormente
Salim Ismail et al. em Exponential Organizations cita que tudo será desconstruído e reconstruído nesse processo. A estimativa é que em 2025 existam 50 bilhões de dispositivos conectados à internet e em 2035 um trilhão. De acordo com essa métrica, o avanço ocorrido até 2015 (nove bilhões) é menos de 1%. Não apenas a maior parte da expansão está à frente, mas praticamente toda ela.
O que isso representa para os negócios? Que sucessos são efêmeros e as organizações que ficarem presas a um sucesso temporário estarão com o futuro em risco. Walter Longo em seu livro Marketing e Comunicação na Era Pós-digital diz que em mundo caracterizado pela impermanência, imaterialidade, portabilidade e transitoriedade das lealdades, quanto mais efêmeras forem as ações, maior será a perenidade. A capacidade das organizações em permanecerem perenes será proporcional à capacidade de agirem de maneira efêmera – se buscarem perenidade na ação serão efêmeras na existência. Exemplos são a Google que age de maneira efêmera a ponto de mudar seu logotipo quase diariamente e o Facebook que mantém sempre uma decoração inacabada em seus escritórios para passar a mensagem que o negócio está em constante construção. Empresas que encontram um modelo de negócio e se fossilizam nele irão se tornar efêmeras e as que entenderem que precisam trabalhar de maneira efêmera irão perenizar. Independentemente se as organizações avançam ou não, as transformações seguem adiante em ritmo cada vez maior. Se a maior parte das pessoas vivas atualmente presenciou a virada do milênio, as que nasceram no novo milênio irão presenciar a virada de civilização (e possivelmente o leitor também).
Mas da mesma forma que as pessoas devem testemunhar extraordinários avanços na ciência e tecnologia no século 21, também conviverão com a possibilidade de colapsos como resultado de destruição do meio ambiente, falência do sistema monetário internacional, conflitos por recursos cada vez mais escassos ou algum gatilho que dispare uma sucessão de acontecimentos que desencadeie ruptura da ordem mundial. Ascensão, apogeu e queda de civilizações são parte da dinâmica da história e qualquer esforço de projetar o futuro deve levar em conta acontecimentos que podem influenciar o cenário para um desfecho ou outro. O que se pode dar por certo é que o mundo mudará substancialmente e em períodos de tempo cada vez mais curtos.

 

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